Vovó, por que as pessoas sofrem?

Você gosta de histórias? Lembra-se de alguma que mexeu muito com você e o que aprendeu com ela? Eu me lembro de muitas...

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Qual foi a estória mais legal que você já ouviu?

Eu gosto muito de histórias e acredito que podemos aprender muito com elas e suas mensagens muitas vezes escondidas na beleza de um texto bem escrito.

Meu objetivo é oferecer à você através deste canal, histórias, conhecidas ou não, que possam contribuir com o seu crescimento pessoal e profissional. Espero que goste!

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Vamos à história de hoje, era uma vez...

Um belo dia, a netinha incomodada com algo que viu, chegou até sua avó e lhe perguntou:

– Vó, por que as pessoas sofrem?

– Como é que é?

– Por que as “pessoas grandes” vivem bravas, irritadas, sempre preocupadas com alguma coisa?

– Bem, minha filha, muitas vezes porque elas foram ensinadas a viver assim.

(Silêncio…)

– Vó…

– Oi…

– Como é que as pessoas podem ser ensinadas a viver mal? Não consigo entender?

– É que elas não percebem que foram ensinadas a ser infelizes e não conseguem mudar o que as torna assim. Você não está entendendo, não é, meu amor? Você lembra da história do patinho feio?

– Lembro.

– Então, o patinho se considerava feio porque era diferente de todo mundo. Isso o deixava muito perturbado, tão infeliz que um dia ele resolveu ir embora viver sozinho.

– Só que o lago que ele procurou para nadar tinha congelado, estava muito frio. Quando ele olhou para o seu reflexo no lago, percebeu que ele era, na verdade, um maravilhoso cisne.

– E assim se juntou aos seus iguais e viveu feliz para sempre.

(Mais silêncio…)

– O que isso tem a ver com a tristeza das pessoas?

– Bem, quando nascemos, somos separados da nossa “natureza-cisne”. Ficamos como patinhos, tentando caber no que os outros dizem que está certo. Então, passamos muito tempo tentando virar patos.

– É por isso que as pessoas grandes estão sempre irritadas?

– Isso! Viu como você é esperta?

– Então é só a gente perceber que é cisne que dá tudo certo?

(A avó engasgou…)

– O que foi, vovó?

– Na verdade, minha filha, encontrar o nosso verdadeiro espelho não é tão fácil assim. Você lembra o que o patinho precisava para se enxergar?

– O quê?

– Ele primeiro precisava parar de tentar ser um pato. Isso significa parar de tentar ser quem a gente não é. Depois, ele aceitou ficar um tempo sozinho para se encontrar.

– Por isso ele passou muito frio, não é, vovó?

– Passou frio e ficou sozinho no inverno.

– Por isso o papai anda tão sozinho e bravo?

– Como é, minha filha?

– Meu pai está sempre bravo, sempre quieto com a música e a televisão dele. Outro dia ele estava chorando no banheiro…

(Ficaram em silêncio por algum tempo…)

– Vó, o papai é um cisne que pensa que é um pato?

– Nós todos somos, querida.

– Ele vai descobrir quem ele é, de verdade?

– Vai, minha filha, vai. Mas, quando estamos no inverno, não podemos desistir, nem esperar que o espelho venha até nós. Temos que procurar ajuda até encontrarmos.

– E aí viramos cisnes?

– Nós já somos cisnes. Apenas deixamos que o cisne venha para fora e tenha espaço para viver.

(A menina deu um pulo da cadeira)

– Aonde vai querida?

– Vou contar para o papai o cisne bonito que ele é.

A boa avó apenas sorriu…

(Autor – Marco Antônio Spinelli)

Que aprendizados podemos extrair desta bela história?

O que você achou desta pequena e simples história?

Acredito ser muito pertinente para o momento atual em que vivemos. São tantas as cobranças e pressões que recebemos no dia a dia: trabalho, família, amigos, comunidade, enfim, de todas as direções.

Falta-nos o tempo, 24 horas não são mais suficientes para darmos conta de tudo o que precisamos fazer e conquistar.

Lutamos desenfreadamente pela conquista do “ter” e esquecemos do “ser”, da nossa essência verdadeira como ser humano.

A simplicidade e a felicidade andam sempre de mãos dadas.

Muitas vezes abrimos mão de coisas e pessoas que são importantes em nossa vida, tentando se estabelecer nos padrões sociais e/ou profissionais considerados “normais”.

Entendo que muitas vezes precisamos nos adaptar aos ambientes que frequentamos ou fazemos parte, mas até que ponto isso é positivo quando nos traz consequências como insatisfação, infelicidade e, em alguns casos, até problemas de saúde?

Será que vale à pena abrirmos mão do que somos, do que acreditamos, do que sentimos, do que nos movimenta e dá energias positivas para seguir sempre em frente, vencendo os desafios da vida?

Não podemos esquecer que os impactos não param apenas em nós, mas acabam também atingindo as pessoas que nós amamos.

Será que vale a pena?

Existem hoje muitas possibilidades de atingirmos nossos objetivos pessoais e profissionais, quem sabe buscando algo que realmente amemos fazer, que nos dê prazer e que não nos faça sofrer tanto, e à nossa família também.

Será que não está na hora de ampliarmos nossa percepção da vida e de nós mesmos e fazermos escolhas que nos levem por este caminho mais leve e mais feliz?

Será que não está na hora de olharmos para nós e valorizarmos aquilo que somos, buscando agradar a nós mesmos e não somente aos outros?

Será que não está na hora de pararmos de lutar por coisas que “todo mundo” está lutando, por modismo ou apenas para poder mostrar que nós também podemos ter?

Como queremos viver? Como o patinho feio da história ou como o cisne descoberto por ele em um momento de reflexão e autoconhecimento?

O que nos fará mais felizes? O que fará mais felizes as pessoas a quem amamos?

Será que conhecemos alguém que se encontra neste estado de patinho feio que não consegue enxergar o cisne lindo que existe dentro dele (a)?

Que sofre em segredo sem perceber o que está fazendo para si e para os que estão ao seu lado?

O que podemos fazer por estas pessoas?

Faz o bem quem ajuda a cultivar o sonho de alguém...

Quando ajudamos alguém a se encontrar, abrimos possibilidades para um reencontro conosco mesmo, a partir de uma percepção mais ampla do sofrimento dos outros.

Vale a pena pensar a respeito!

Fique em paz e que Deus o abençoe sempre!

Forte abraço.

Marcelo Levi.

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